Uma colega de trabalho fez uma obsevação sobre o que eu julgava ser um tipo de segredo. A conversa seguia e calhou em um ponto tipo família; e ela perguntou:
- Mas você não vai ter outro filho? Você disse que ia ter.
Primeiro, achei que ela estivesse doidinha, atrapalhada. Mas ela foi me fazendo recordar de frases ditas há seis meses, já esquecidas e que parecem ter sido ditas em uma vida passada.
É, há seis meses eu queria outro filho. Meu contentamento e felicidade baseavam-se nisso: filhos me completam e é só o que eu quero agora, uns 10, se puder.
Então eu disse a ela: - Esqueça isso. Eu estava louca. Agora acordei, sou eu mesma de novo.
Ela riu e repetiu sua opinião sobre eu ser uma "figura". E eu expliquei, o mais objetivamente possível, que tenho várias dentro de mim, que brigam, e são insanas.
- Todo mundo é assim, Thelma. Mas ninguém deixa isso tão à mostra, só você.
Foi uma revelação! Todo mundo tem insanas, mas conseguem dominá-las.
Eu nunca pude com elas. Acabam comigo, todo dia.
Quem sou eu
- Thelma Yeda
- Certas palavras não podem ser ditas em qualquer lugar e hora qualquer. Estritamente reservadas para companheiros de confiança, devem ser sacralmente pronunciadas em tom muito especial lá onde a polícia dos adultos não adivinha nem alcança. Entretanto são palavras simples: definem partes do corpo, movimentos, atos do viver que só os grandes se permitem e a nós é defendido por sentença dos séculos. E tudo é proibido. Então, falamos. Carlos Drummond de Andrade
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Jornal
O que o Sérgio escrreveu parece uma profecia:
"O lugar de Thelma certamente não está nos escaninhos de um Judiciário entupido de processos. Seu verdadeiro espaço sempre será numa redação de jornal, embalada pela “música” dos teclados e impressoras. É ali que seus olhos brilham, sua alma sorri e Thelma se realiza.Por isso, ao agradecer publicamente todo o empenho de Thelma Roder Kai ao DEBATE, não quero, assim como todos os demais companheiros de redação, fazer deste texto uma despedida. Portanto, até breve, companheira."
Mas não é. É apenas um texto sincero escrito por uma pessoa que me conhece bem demais. Acho que só haveria um remendo: não são os escaninhos de um Judiciário entupido de processos. Talvez sejam os escaninhos do serviço público entupido de burocracia.
"O lugar de Thelma certamente não está nos escaninhos de um Judiciário entupido de processos. Seu verdadeiro espaço sempre será numa redação de jornal, embalada pela “música” dos teclados e impressoras. É ali que seus olhos brilham, sua alma sorri e Thelma se realiza.Por isso, ao agradecer publicamente todo o empenho de Thelma Roder Kai ao DEBATE, não quero, assim como todos os demais companheiros de redação, fazer deste texto uma despedida. Portanto, até breve, companheira."
Mas não é. É apenas um texto sincero escrito por uma pessoa que me conhece bem demais. Acho que só haveria um remendo: não são os escaninhos de um Judiciário entupido de processos. Talvez sejam os escaninhos do serviço público entupido de burocracia.
Amigos
No início de 2011, depois de uma viagem cansativa para passar o Natal com minha família, tive o insight: em 2010 vi meus amigos mais queridos apenas uma vez. Não passamos nem mesmo um dia todo juntos. Isso inclui amigos da faculdade, amigos de infância, amigos de adolescência e meus amigos mais novos. E muitos amigos eu sequer vi.
Lembrei-de da frase da Selma: "a vida é muito curta para a gente passar longe dos amigos".
Há mais de 10 anos tenho para mim que já encontrei o sentido da vida (da minha pelo menos, que é a que mais me interessa): momentos. Viver momentos. Levar apenas o que vivi.
Então iniciei 2011 refletindo que tenho levado uma vida muito da besta: trabalho, vou pra casa, vou pro trabalho, volto pra casa. Nos finais de semana, passeio com a família.
Quem me conhece sabe que espero mais da vida. Quero fazer compras de manhã, trabalhar com algo que não seja a prostituição do meu amor pela palavra, sair com meus filhos todos os dias para fazer o que eu tiver vontade, namorar e ver meus amigos, e beber, e mandar o mundo todo à merda. Todo dia.
Por que agora não consigo mais? Fazia isso com três empregos e viajando para SP toda semana para a pós...
A vida ficou rápida, os horários são apertados, a rotina é pavorosa. O que mudou? Virei funcionária pública.
Engraçado que minha mãe sempre (sempre mesmo, desde que eu terminei o ensino médio) me torrou a paciência querendo que eu fizesse concurso (BB, imagine!). E eu sempre tive horror.
E eu sempre soube que tudo que minha mãe achava adequado para mim era o que mais me faria infeliz.
Como vim parar, então, nessa armadilha?
E só acordei porque vi meus amigos, mesmo que por menos de um dia todo, em 2010.
Meu coração está com eles, minha vida e minha alma. E a minha felicidade.
Lembrei-de da frase da Selma: "a vida é muito curta para a gente passar longe dos amigos".
Há mais de 10 anos tenho para mim que já encontrei o sentido da vida (da minha pelo menos, que é a que mais me interessa): momentos. Viver momentos. Levar apenas o que vivi.
Então iniciei 2011 refletindo que tenho levado uma vida muito da besta: trabalho, vou pra casa, vou pro trabalho, volto pra casa. Nos finais de semana, passeio com a família.
Quem me conhece sabe que espero mais da vida. Quero fazer compras de manhã, trabalhar com algo que não seja a prostituição do meu amor pela palavra, sair com meus filhos todos os dias para fazer o que eu tiver vontade, namorar e ver meus amigos, e beber, e mandar o mundo todo à merda. Todo dia.
Por que agora não consigo mais? Fazia isso com três empregos e viajando para SP toda semana para a pós...
A vida ficou rápida, os horários são apertados, a rotina é pavorosa. O que mudou? Virei funcionária pública.
Engraçado que minha mãe sempre (sempre mesmo, desde que eu terminei o ensino médio) me torrou a paciência querendo que eu fizesse concurso (BB, imagine!). E eu sempre tive horror.
E eu sempre soube que tudo que minha mãe achava adequado para mim era o que mais me faria infeliz.
Como vim parar, então, nessa armadilha?
E só acordei porque vi meus amigos, mesmo que por menos de um dia todo, em 2010.
Meu coração está com eles, minha vida e minha alma. E a minha felicidade.
Desarrolo
Sei que o sentido da palavra não tem nada a ver com isso, mas me veio à mente: desarrolo. É a palavra que ilustra minha vontade, de "desarrolar" as palavras por aqui, em cascata, em enxurrada, como na Região Serrana: varrendo tudo pela frente e deixando para trás apenas um terreno limpo, onde se possa novamente começar.
Estamos no começo de fevereiro, mas já preciso de outro Ano Novo.
Estamos no começo de fevereiro, mas já preciso de outro Ano Novo.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Papai Noel dos Correios!
Papai Noel dos Correios recebe cartinhas até o dia 5 de dezembro
EBC - Empresa Brasileira de Comunicação
EBC - Empresa Brasileira de Comunicação
sábado, 14 de agosto de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Ser feliz é difícil?
Passei da idade de me preocupar com certas coisas. Continuo sendo a pessoa mais estressada do mundo, sim. Irritada, chata, caótica, neurótica ao extremo.
Mas o tempo todo, sei que sou feliz. Sei que tenho o necessário, o que amo, e isso me basta. Como dizem? "Amo tudo o que tenho".
Acordo agradecendo, vou dormir agradecendo. Só durante o dia, entre essas duas coisas, é que me envolvo com as rotinas e vou ficando louquinha...
Mas ser feliz não é difícil, acho... Dê uma lidinha no texto do link e depois vá lavar louça ou passar roupa, ou fazer qualquer atividade daquelas mecânicas, em que a gente pensa, pensa, pensa...
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Guerra de música
Quando me mudei, fiquei muito contente com meu apartamento. Lugar tranquilo, gostosinho.
Algumas semanas depois, um carro diferente começou a estacionar por aqui. Placas do Piauí. Não sei qual o motivo, mas em Brasília os banheiros não tem nenhum tipo de janela. Ou tem exaustores (ai, Senhor...), ou um tipo de veneziana que deve dar para um duto de ventilação.
Acontece que esse duto possibilita que você escute absolutamente tudo que seus vizinhos fazem, em um volume muito acima do desejado. E os tais vizinhos do Piauí têm uma empregada que fica o dia todo gritando "Juuuuuuuuuuuuuão", que é o filho do casal. À noite, ela leva o moleque pro quarto e joga FUTEBOL com ele lá dentro, com direito a grito de gol ao estilo Galvão Bueno pagando pau pro Rrrrrrrrrrrronaldo.
Mas o pior é o gosto musical da empregada. PQP, com tanta coisa pra ouvir, adivinha o que ela mais escuta? C-A-L-Y-P-S-O. Começa às 8h e vai até perto das 12h. O MESMO CD, TODO SANTO DIA.
Ninguém merece escutar aquela loira cantando como quem está fingindo um orgasmo, fala sério.
E eu penso, todos os dias, que queria muito ter aqui meu som super potente (está na casa da minha mãe) para colocar Metallica, Black Sabbath, Ramones, Raimundos (aquelas músicas bem cheias de palavrão).
Mas ainda vou trazer meu som. Ah, eu vou.
domingo, 4 de outubro de 2009
As meninas de hoje
Vi uma propaganda muito tosca hoje na TV. Uma piazinha de plástico, com pratos e talheres de plástico. A propaganda fica repetindo que "tem água de verdade!".
É uma pia de brinquedo para as meninas brincarem de lavar louça.
Se a infeliz atormentada da criança quer lavar louça, por que não lava os pratos da cozinha para a mãe dela!?!?!
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Os anúncios, os anúncios...
Esse negócio dos anúncios do blog é divertido... agora tem um monte de propaganda de produtos para bebê. E o pior, tem uma daquele produto da Knorr que você coloca no arroz para ele ficar soltinho...
Ou seja, juntando tudo, é o pesadelo da mulher na Terra.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Novas habilidades
Embora eu seja uma seguidora de algumas teorias da conspiração, como a de que estamos caminhando para um terrível Admirável Mundo Novo sem perceber, enxergo algumas vantagens.
Uma delas é a concepção em úteros fora do corpo humano. Ninguém merece parir.
Por outro lado, se os homens tivessem essa oportunidade, seriam mais espertos. A concepção desencadeia novas habilidades. Algumas úteis, outras nem tanto.
1º) Depois de parir, você aprende a suportar outras dores com facilidade.
2º) Depois que o bebê nasce, você desenvolve extremamente sua coordenação motora.
Por absoluta necessidade, aliás. Você aprende a fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, com extrema facilidade! E é capaz de:
- digitar enquanto empurra o carrinho com o pé;
- passar roupa, lavar louça e cozinhar enquanto empurra o carrinho com o pé;
- dar banho, vestir, amamentar a criança enquanto conversa ao telefone.
E sempre falando também com a criança, fazendo beicinhos e tals, para ela não chorar.
Na verdade, já estou mais evoluída. Outro dia minha mãe telefonou enquanto eu fazia o jantar. Cozinhar e falar ao telefone é mole. Mas aí o bebê acordou. Então eu cozinhei, falando ao telefone e com o bebê no colo.
E os New Kids on the Block não conseguiam dançar e tocar um instrumento ao mesmo tempo...
Uma delas é a concepção em úteros fora do corpo humano. Ninguém merece parir.
Por outro lado, se os homens tivessem essa oportunidade, seriam mais espertos. A concepção desencadeia novas habilidades. Algumas úteis, outras nem tanto.
1º) Depois de parir, você aprende a suportar outras dores com facilidade.
2º) Depois que o bebê nasce, você desenvolve extremamente sua coordenação motora.
Por absoluta necessidade, aliás. Você aprende a fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, com extrema facilidade! E é capaz de:
- digitar enquanto empurra o carrinho com o pé;
- passar roupa, lavar louça e cozinhar enquanto empurra o carrinho com o pé;
- dar banho, vestir, amamentar a criança enquanto conversa ao telefone.
E sempre falando também com a criança, fazendo beicinhos e tals, para ela não chorar.
Na verdade, já estou mais evoluída. Outro dia minha mãe telefonou enquanto eu fazia o jantar. Cozinhar e falar ao telefone é mole. Mas aí o bebê acordou. Então eu cozinhei, falando ao telefone e com o bebê no colo.
E os New Kids on the Block não conseguiam dançar e tocar um instrumento ao mesmo tempo...
Lenina
Aí eu tenho momentos Lenina e momentos Linda.
São as duas personagens de Admirável Mundo Novo que, para mim, é como um I Ching da vida moderna. Há 70 anos Huxley conseguiu descrever a clonagem. O próximo passo é a concepção em úteros fora do corpo humano e a hipnopedia. Acho sempre que tudo isso está muito perto...
Lenina é a típica representante da sociedade do Mundo Novo. Encaixada na sua posição, horrorizada com tudo o que represente falta de "civilidade", não consegue compreender o amor ou outros conceitos "antigos", já que tudo é tão melhor para todos na civilização.
Linda também era assim, antes de ser abandonada na reserva dos selvagens e parir um filho. Em um trecho do livro, ela se zanga por estar naquele lugar e culpa a criança. Porque se ele não tivesse nascido, ela poderia voltar para a civilização. Mas como voltaria com um filho? E ela começa a bater na criança. De repente para e começa a cobri-lo de beijos. Ou seja, a maternidade, no sentido do conceito amor mãe-filho, fala mais alto, apesar de todo o treinamento hipnopédico.
Lenina ou Linda?
São as duas personagens de Admirável Mundo Novo que, para mim, é como um I Ching da vida moderna. Há 70 anos Huxley conseguiu descrever a clonagem. O próximo passo é a concepção em úteros fora do corpo humano e a hipnopedia. Acho sempre que tudo isso está muito perto...
Lenina é a típica representante da sociedade do Mundo Novo. Encaixada na sua posição, horrorizada com tudo o que represente falta de "civilidade", não consegue compreender o amor ou outros conceitos "antigos", já que tudo é tão melhor para todos na civilização.
Linda também era assim, antes de ser abandonada na reserva dos selvagens e parir um filho. Em um trecho do livro, ela se zanga por estar naquele lugar e culpa a criança. Porque se ele não tivesse nascido, ela poderia voltar para a civilização. Mas como voltaria com um filho? E ela começa a bater na criança. De repente para e começa a cobri-lo de beijos. Ou seja, a maternidade, no sentido do conceito amor mãe-filho, fala mais alto, apesar de todo o treinamento hipnopédico.
Lenina ou Linda?
Mothern 2
Quando tive meu primeiro filho, tudo foi estranho. Eu era muito nova, com uma gravidez não planejada... claro que fiquei feliz porque ia ter um bebê. Mas na verdade, não sabia o que isso significava. Enquanto uma parte de mim estava radiante com o bebê no colo, outra ficava gritando tudo que eu estaria perdendo a partir daquele momento.
Agora sei o que significa ter um bebê. Então é diferente.
Com a pequena nos braços, observando seu sono, sinto uma coisa difícil de descrever. Pensei, pensei, e acho que, mais que amor, mais de ternura, é uma sensação de dever cumprido. Como se a minha existência só se justificasse por isso, pela minha reprodução. É gozado, eu não chego a pensar isso, mas eu sinto.
E quanto tive um menino, foi diferente também. Sentia isso, acho que só. Agora, olhando a menina que é a minha cara e que com certeza será uma cópia muito fiel de mim, pensei outra coisa: é como se, depois que eu morrer, eu continuasse na Terra. Claro que não terá a menor importância, porque eu estarei morta. Mas é engraçado como isso é confortante... é a certeza de que, mesmo após eu partir, estarei aqui para ser lembrada, algo assim.
Acho que a felicidade da maternidade é a certeza de um sopro de vida pós-morte. Ter filhos é uma maneira de continuar viva, mesmo que apenas em suas memórias, fotos e vídeos, por pelo menos mais meio século. Simples assim.
Agora sei o que significa ter um bebê. Então é diferente.
Com a pequena nos braços, observando seu sono, sinto uma coisa difícil de descrever. Pensei, pensei, e acho que, mais que amor, mais de ternura, é uma sensação de dever cumprido. Como se a minha existência só se justificasse por isso, pela minha reprodução. É gozado, eu não chego a pensar isso, mas eu sinto.
E quanto tive um menino, foi diferente também. Sentia isso, acho que só. Agora, olhando a menina que é a minha cara e que com certeza será uma cópia muito fiel de mim, pensei outra coisa: é como se, depois que eu morrer, eu continuasse na Terra. Claro que não terá a menor importância, porque eu estarei morta. Mas é engraçado como isso é confortante... é a certeza de que, mesmo após eu partir, estarei aqui para ser lembrada, algo assim.
Acho que a felicidade da maternidade é a certeza de um sopro de vida pós-morte. Ter filhos é uma maneira de continuar viva, mesmo que apenas em suas memórias, fotos e vídeos, por pelo menos mais meio século. Simples assim.
Os caçulas
De todas as ansiedades dessa gravidez, a maior era finalmente poder descobrir se as mães gostam mesmo mais dos caçulas. Dúvida eterna, essa. As mães dizem que não, contam a história dos cinco dedos da mão... os filhos têm certeza de que o caçula é o preferido.
E eu teria agora a chance de descobrir.
Meu marido, há séculos, tentou explicar: não é que as mães gostem mais dos caçulas. É que, por serem menores, estão sempre precisando de mais cuidados. E quando crescem, as mães já se habituaram a estar mais preocupadas com eles do que com os outros.
Ainda é cedo, mas acho que já posso opinar. Meu marido estava certo. É tão claro para mim que meu filho de 11 anos pode se virar sozinho enquanto a pequena precisa de tudo... Mas com certeza, meu filho não vê assim. Acho que ele imagina realmente que eu goste mais da pequena. Porque atos sempre falam mais do que palavras...
E eu teria agora a chance de descobrir.
Meu marido, há séculos, tentou explicar: não é que as mães gostem mais dos caçulas. É que, por serem menores, estão sempre precisando de mais cuidados. E quando crescem, as mães já se habituaram a estar mais preocupadas com eles do que com os outros.
Ainda é cedo, mas acho que já posso opinar. Meu marido estava certo. É tão claro para mim que meu filho de 11 anos pode se virar sozinho enquanto a pequena precisa de tudo... Mas com certeza, meu filho não vê assim. Acho que ele imagina realmente que eu goste mais da pequena. Porque atos sempre falam mais do que palavras...
Mothern
Se você encontrasse uma máquina do tempo, para onde viajaria?
Hoje, gostaria de observar a pré-história. Os homens da caverna. Vi a foto de um bebê recém-nascido com aquele cordão umbilical horrível pendurado e pensei: como as mulheres da pré-história faziam?
Sim, porque bebê é tão delicado... tem que usar água fervida, tem que fazer curativo no umbigo com álcool sei que lá, tem que usar só roupa de algodão, não pode isso, não pode aquilo...
Mas e antes? As gurias tinham o bebê. E aí? Não tinha álcool, nem fogo, por um bom tempo. E quando tinha, duvido que fervessem a água. O que elas faziam com o umbigo? Cortavam com os dentes e comiam até o toco, que nem gato e cachorro?
Acho que faziam o que os bichos fazem, por instinto. E com todas as limitações, a espécie sobreviveu e evoluiu.
Por isso fico achando que tem muita frescura hoje. Bom, óbvio que a taxa de mortalidade infantil devia ser estratosférica. Mas acho que isso também não tinha importância, já que as mulheres deviam parir que nem cadela de rua: uma vez por ano.
E quando morria um filho, o que elas faziam? A "maternidade" ainda não existia (aprendi em Sociologia que o conceito de maternidade como conhecemos, do amor mãe-filho, foi criado em Esparta porque o Estado não podia mais assumir a criação das crianças). Uma vez minha cadela pariu e quando cheguei em casa, muitos filhotes estavam mortos. Alguns destroçados, outros inteiros. Acho que algum cachorro entrou lá e matou os bichinhos. Enfim, tinha um inteiro, parecia que dormia. Eu tentava colocar o coitado no saco de lixo e ela ficava louca. Carregou ele para a casinha, colocou com os vivos e ficou mexendo nele com o focinho, lambendo.
O cachorro é bicho, age por instinto e não conhece conceito nenhum de maternidade, mas eu vi dor nos olhos dela quando, com muito custo, tirei o cachorrinho morto da casinha...
Por isso eu queria ver como era antes.
Hoje, gostaria de observar a pré-história. Os homens da caverna. Vi a foto de um bebê recém-nascido com aquele cordão umbilical horrível pendurado e pensei: como as mulheres da pré-história faziam?
Sim, porque bebê é tão delicado... tem que usar água fervida, tem que fazer curativo no umbigo com álcool sei que lá, tem que usar só roupa de algodão, não pode isso, não pode aquilo...
Mas e antes? As gurias tinham o bebê. E aí? Não tinha álcool, nem fogo, por um bom tempo. E quando tinha, duvido que fervessem a água. O que elas faziam com o umbigo? Cortavam com os dentes e comiam até o toco, que nem gato e cachorro?
Acho que faziam o que os bichos fazem, por instinto. E com todas as limitações, a espécie sobreviveu e evoluiu.
Por isso fico achando que tem muita frescura hoje. Bom, óbvio que a taxa de mortalidade infantil devia ser estratosférica. Mas acho que isso também não tinha importância, já que as mulheres deviam parir que nem cadela de rua: uma vez por ano.
E quando morria um filho, o que elas faziam? A "maternidade" ainda não existia (aprendi em Sociologia que o conceito de maternidade como conhecemos, do amor mãe-filho, foi criado em Esparta porque o Estado não podia mais assumir a criação das crianças). Uma vez minha cadela pariu e quando cheguei em casa, muitos filhotes estavam mortos. Alguns destroçados, outros inteiros. Acho que algum cachorro entrou lá e matou os bichinhos. Enfim, tinha um inteiro, parecia que dormia. Eu tentava colocar o coitado no saco de lixo e ela ficava louca. Carregou ele para a casinha, colocou com os vivos e ficou mexendo nele com o focinho, lambendo.
O cachorro é bicho, age por instinto e não conhece conceito nenhum de maternidade, mas eu vi dor nos olhos dela quando, com muito custo, tirei o cachorrinho morto da casinha...
Por isso eu queria ver como era antes.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Do you promise?
Mulher mais adorada!
Agora que não estás, deixa que rompa
O meu peito em soluços! Te enrustiste
Em minha vida; e cada hora que passa
É mais por que te amar, a hora derrama
O seu óleo de amor, em mim, amada...
E sabes de uma coisa? Cada vez
Que o sofrimento vem, essa saudade
De estar perto, se longe, ou estar mais perto
Se perto, – que é que eu sei! Essa agonia
De viver fraco, o peito extravasado
O mel correndo; essa incapacidade
De me sentir mais eu, Orfeu; tudo isso
Que é bem capaz de confundir o espírito
De um homem – nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga
Esse contentamento, essa harmonia
Esse corpo! E me dizes essas coisas
Que me dão essa força, essa coragem
Esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música!
Nunca fujas de mim! Sem ti sou nada
Sou coisa sem razão, jogada, sou
Pedra rolada. Orfeu menos Eurídice...
Coisa incompreensível! A existência
Sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos. Tu
És a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo, minha amiga
Mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! Criatura! Quem
Poderia pensar que Orfeu: Orfeu
Cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres - que ele, Orfeu
Ficasse assim rendido aos teus encantos!
Mulata, pele escura, dente branco
Vai teu caminho que eu vou te seguindo
No pensamento e aqui me deixo rente
Quando voltares, pela lua cheia
Para os braços sem fim do teu amigo!
Vai tua vida, pássaro contente
Vai tua vida que estarei contigo!
Agora que não estás, deixa que rompa
O meu peito em soluços! Te enrustiste
Em minha vida; e cada hora que passa
É mais por que te amar, a hora derrama
O seu óleo de amor, em mim, amada...
E sabes de uma coisa? Cada vez
Que o sofrimento vem, essa saudade
De estar perto, se longe, ou estar mais perto
Se perto, – que é que eu sei! Essa agonia
De viver fraco, o peito extravasado
O mel correndo; essa incapacidade
De me sentir mais eu, Orfeu; tudo isso
Que é bem capaz de confundir o espírito
De um homem – nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga
Esse contentamento, essa harmonia
Esse corpo! E me dizes essas coisas
Que me dão essa força, essa coragem
Esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música!
Nunca fujas de mim! Sem ti sou nada
Sou coisa sem razão, jogada, sou
Pedra rolada. Orfeu menos Eurídice...
Coisa incompreensível! A existência
Sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos. Tu
És a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo, minha amiga
Mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! Criatura! Quem
Poderia pensar que Orfeu: Orfeu
Cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres - que ele, Orfeu
Ficasse assim rendido aos teus encantos!
Mulata, pele escura, dente branco
Vai teu caminho que eu vou te seguindo
No pensamento e aqui me deixo rente
Quando voltares, pela lua cheia
Para os braços sem fim do teu amigo!
Vai tua vida, pássaro contente
Vai tua vida que estarei contigo!
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