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Certas palavras não podem ser ditas em qualquer lugar e hora qualquer. Estritamente reservadas para companheiros de confiança, devem ser sacralmente pronunciadas em tom muito especial lá onde a polícia dos adultos não adivinha nem alcança. Entretanto são palavras simples: definem partes do corpo, movimentos, atos do viver que só os grandes se permitem e a nós é defendido por sentença dos séculos. E tudo é proibido. Então, falamos. Carlos Drummond de Andrade

sábado, 14 de agosto de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ser feliz é difícil?

Passei da idade de me preocupar com certas coisas. Continuo sendo a pessoa mais estressada do mundo, sim. Irritada, chata, caótica, neurótica ao extremo.

Mas o tempo todo, sei que sou feliz. Sei que tenho o necessário, o que amo, e isso me basta. Como dizem? "Amo tudo o que tenho".

Acordo agradecendo, vou dormir agradecendo. Só durante o dia, entre essas duas coisas, é que me envolvo com as rotinas e vou ficando louquinha...

Mas ser feliz não é difícil, acho... Dê uma lidinha no texto do link e depois vá lavar louça ou passar roupa, ou fazer qualquer atividade daquelas mecânicas, em que a gente pensa, pensa, pensa...

blog do rodrigo viana: Passeio Socrático

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Guerra de música

Quando me mudei, fiquei muito contente com meu apartamento. Lugar tranquilo, gostosinho.

Algumas semanas depois, um carro diferente começou a estacionar por aqui. Placas do Piauí. Não sei qual o motivo, mas em Brasília os banheiros não tem nenhum tipo de janela. Ou tem exaustores (ai, Senhor...), ou um tipo de veneziana que deve dar para um duto de ventilação.

Acontece que esse duto possibilita que você escute absolutamente tudo que seus vizinhos fazem, em um volume muito acima do desejado. E os tais vizinhos do Piauí têm uma empregada que fica o dia todo gritando "Juuuuuuuuuuuuuão", que é o filho do casal. À noite, ela leva o moleque pro quarto e joga FUTEBOL com ele lá dentro, com direito a grito de gol ao estilo Galvão Bueno pagando pau pro Rrrrrrrrrrrronaldo.

Mas o pior é o gosto musical da empregada. PQP, com tanta coisa pra ouvir, adivinha o que ela mais escuta? C-A-L-Y-P-S-O. Começa às 8h e vai até perto das 12h. O MESMO CD, TODO SANTO DIA.

Ninguém merece escutar aquela loira cantando como quem está fingindo um orgasmo, fala sério.

E eu penso, todos os dias, que queria muito ter aqui meu som super potente (está na casa da minha mãe) para colocar Metallica, Black Sabbath, Ramones, Raimundos (aquelas músicas bem cheias de palavrão).

Mas ainda vou trazer meu som. Ah, eu vou.

domingo, 4 de outubro de 2009

As meninas de hoje

Vi uma propaganda muito tosca hoje na TV. Uma piazinha de plástico, com pratos e talheres de plástico. A propaganda fica repetindo que "tem água de verdade!".

É uma pia de brinquedo para as meninas brincarem de lavar louça.

Se a infeliz atormentada da criança quer lavar louça, por que não lava os pratos da cozinha para a mãe dela!?!?!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Os anúncios, os anúncios...

Esse negócio dos anúncios do blog é divertido... agora tem um monte de propaganda de produtos para bebê. E o pior, tem uma daquele produto da Knorr que você coloca no arroz para ele ficar soltinho...

Ou seja, juntando tudo, é o pesadelo da mulher na Terra.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Novas habilidades

Embora eu seja uma seguidora de algumas teorias da conspiração, como a de que estamos caminhando para um terrível Admirável Mundo Novo sem perceber, enxergo algumas vantagens.

Uma delas é a concepção em úteros fora do corpo humano. Ninguém merece parir.

Por outro lado, se os homens tivessem essa oportunidade, seriam mais espertos. A concepção desencadeia novas habilidades. Algumas úteis, outras nem tanto.

1º) Depois de parir, você aprende a suportar outras dores com facilidade.
2º) Depois que o bebê nasce, você desenvolve extremamente sua coordenação motora.

Por absoluta necessidade, aliás. Você aprende a fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, com extrema facilidade! E é capaz de:

- digitar enquanto empurra o carrinho com o pé;
- passar roupa, lavar louça e cozinhar enquanto empurra o carrinho com o pé;
- dar banho, vestir, amamentar a criança enquanto conversa ao telefone.

E sempre falando também com a criança, fazendo beicinhos e tals, para ela não chorar.

Na verdade, já estou mais evoluída. Outro dia minha mãe telefonou enquanto eu fazia o jantar. Cozinhar e falar ao telefone é mole. Mas aí o bebê acordou. Então eu cozinhei, falando ao telefone e com o bebê no colo.

E os New Kids on the Block não conseguiam dançar e tocar um instrumento ao mesmo tempo...

Lenina

Aí eu tenho momentos Lenina e momentos Linda.

São as duas personagens de Admirável Mundo Novo que, para mim, é como um I Ching da vida moderna. Há 70 anos Huxley conseguiu descrever a clonagem. O próximo passo é a concepção em úteros fora do corpo humano e a hipnopedia. Acho sempre que tudo isso está muito perto...

Lenina é a típica representante da sociedade do Mundo Novo. Encaixada na sua posição, horrorizada com tudo o que represente falta de "civilidade", não consegue compreender o amor ou outros conceitos "antigos", já que tudo é tão melhor para todos na civilização.

Linda também era assim, antes de ser abandonada na reserva dos selvagens e parir um filho. Em um trecho do livro, ela se zanga por estar naquele lugar e culpa a criança. Porque se ele não tivesse nascido, ela poderia voltar para a civilização. Mas como voltaria com um filho? E ela começa a bater na criança. De repente para e começa a cobri-lo de beijos. Ou seja, a maternidade, no sentido do conceito amor mãe-filho, fala mais alto, apesar de todo o treinamento hipnopédico.

Lenina ou Linda?